• Charge para os senadores em produção

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    Pessoal, muito obrigado por todas as sugestões, fiquei muito feliz ao ler cada e-mail e saber que há bastante gente pensante e “protestante” no Brasil.

    A charge que era para ser um apanhado das idéias mais comuns acabou virando um poster cheio de detalhes, me empolguei.

    O problema da minha empolgação é o tempo de produção, mas está a caminho, mais uma semana e estará pronta.

    Além de enviá-la para os nossos senadores ela será postada aqui e enviada para todos os participantes para distribuirem livremente.

    Aqui no blog deixarei uma versão com mais resolução para quem quiser baixar e ver mais detalhes em um arquivo maior, além disso estou “filmando” todos os passos da produção e editando pequenos filmes em velocidade acelerada mostrando algumas etapas do processo de produção da super-charge.

    Para nos manter inspirados e alertas reproduzo abaixo um recorte da revista Veja de 1986 que me foi enviado como “inspiração” para a charge em questão.

    Fica para apreciarem e reforçar que precismos protestar e espernear, as bandalheiras acontecem há muito tempo e a gente acaba as esquecendo.

    Amplexos!

    Sarneyzadas

  • Teísta mata em nome de Deus

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    Incrível! Vale a pena ver o vídeo abaixo. Quem mandou o link foi meu amigo Fabio Santini, é do blog “Humor Ateu”.

    Conforme o blogueiro ateu comenta:

    “Afinal, a tua bíblia te ensinou a matar a fio de espada todos aqueles que não acreditarem no teu deus…”

    Este vídeo vem a calhar, pois recebi o convite do meu amigo escritor Pedro Stiehl, para aderir ao movimento “Ateus! Saiam do armário!” Inspirados pelo texto de outro genial blogueiro o professor Idelber Avelar em seu blog  “O biscoito fino e a massa” texto este, que reproduzo abaixo do vídeo, complemento perfeito à reflexão sobre deuses e crenças.

    Veja o vídeo e não dixe de visitar os blogs “Humor Ateu” e “O biscoito fino e a massa” eles convidam a várias reflexões.

    Ateus, saiam do armário! Ateísmo e falsas simetrias

    Idelber Avelar no blog “O biscoito fino e a massa.”

    O Biscoito Fino e a Massa combate as falsas simetrias desde outubro de 2004. Outro dia, numa mesa de bar, tive que ouvir a velha história de que “machismo” e “feminismo” são duas coisas idênticas; de que as mulheres deveriam abandonar essa história de feminismo porque … afinal de contas, somos todos seres humanos! Uma amiga querida, feminista, encarregou-se de explicar o óbvio: que o machismo é a justificativa ideológica de uma opressão milenar, que subjuga as mulheres, relega-as à condição de serventes, e que o feminismo representa a luta por uma sociedade em que todos tenhamos os mesmos direitos– uma sociedade em que as mulheres possam, por exemplo, legislar sobre seu próprio útero. Daí, a conversa da nossa interlocutora descambou para a discussão do racismo, onde ela de novo repetia a ladainha de que uma camisa 100% negro e uma camisa 100% branco representavam coisas igualmente reprováveis, como se não tivesse havido aquele pequeno detalhe chamado escravidão.

    Está em curso uma perigosa tendência a silenciar os ateus. O argumento – calhorda, cafajeste, ignorante – é que cada vez que um ateu sai do armário, se assume como tal e começa, a partir dali, a articular publicamente suas razões para ser ateu, ele está repetindo, mimetizando, reproduzindo a doutrinação evangélica com a qual somos bombardeados todos os dias. Cada vez que os ateus começamos a falar publicamente sobre essa mais óbvia e razoável das escolhas vem alguém nos acusar de … estar querendo evangelizar os outros!

    Dá pra imaginar uma simetria mais falsa?

    Uma pesquisa recente, da Fundação Perseu Abramo, mostra que os ateus representamos o grupo social mais discriminado socialmente. Mais que negros. mulheres, travestis, gays, lésbicas. Mais, até mesmo, que transsexuais. Eu não estou dizendo que a discriminação cotidiana que sofre, por exemplo, um ateu branco, é comparável à que sofre um negro de qualquer crença. Não é. Não é, em primeiro lugar, porque ser negro e, até certo ponto, ser gay, são coisas impossíveis de se esconder. Ser ateu, não. Mas se você perguntar a um brasileiro em qual membro de grupo social ele não aceitaria votar de jeito nenhum, os ateus estamos, disparados, em primeiro lugar. Vivemos ainda nesse estranho regime que associa a moralidade à crença religiosa, como se existisse alguma relação entre religiosidade e comportamento moral, como se não soubéssemos nada sobre a lambança feita pelos padres com as crianças e adolescentes – para não falar dos séculos de lambança obscurantista e anticientífica promovida pelas religiões.

    A crítica que ouço por aí a Richard Dawkins – que ele está liderando um movimento ateu que tem caráter evangelizante, doutrinador, e que portanto ele acaba se parecendo a um crente – é de uma burrice digna de um cristão. Nós passamos séculos em que os ateus não tínhamos sequer o direito de falar na esfera pública enquanto tais. Nós vivemos num mundo onde professores são despedidos por serem ateus; adolescentes recebem suspensão na escola por serem ateus; políticos que se declaram ateus têm pouquíssimas chances de serem eleitos. Essa mais razoável e óbvia das conclusões filosóficas – a de que o mundo não foi criado por nenhum ser onipotente – ainda é motivo de perseguição severa para qualquer um que a abrace.

    Apesar do caráter laico da República Federativa do Brasil, garantido na nossa constituição, as religiões ainda gozam desses estranhos privilégios: não pagam impostos, por exemplo. A pior parte é que elas podem dar palpite em absolutamente tudo — desde o currículo escolar até o útero alheio – mas, no momento em que são questionadas, o debate é silenciado com aquele mais cretino dos argumentos, ah, tem que respeitar minha religião.

    Entendam o ponto de vista d’ O Biscoito Fino e a Massa sobre isso: tem que respeitar religião porra nenhuma. Tem que acabar com essa história de que, todas vezes que apontamos a misoginia, a homofobia, os estupros de crianças, a guerra anticiência, os séculos de lambança obscurantista, sempre aparece alguém para dizer “ah, tem que respeitar minha religião”.

    Ideias não foram feitas para serem “respeitadas”. Ideias foram feitas para serem debatidas, questionadas, copiadas, circuladas, disseminadas, combatidas e defendidas, parodiadas e criticadas. De preferência com argumentos. Seres humanos merecem respeito. Pregação contra o que seres humanos são, por sua própria essência e identidade (gênero, raça, orientação sexual) não pode ser confundida com sátira antirreligiosa. A maioria dos carolas adora confundir sátira antirreligiosa com ataque misógino ou homofóbico. Não entendem que sua superstição é, essa sim, uma opção.

    As três famílias que chamo de minhas – a sanguínea, a de meu amor e a da mãe de meus filhos, todas elas majoritamente católicas – são testemunhas de que jamais invadi um ritual religioso deles para fazer sátira, questionar o que quer que seja ou tentar converter quem quer que seja. O ritual acontece no espaço privado – que é onde ele tem o direito constitucional de acontecer – sem que eu jamais o desrespeite. Mas isso não é porque eu “respeito a religião”. Isso é porque eu os respeito, como pessoas. Tenho a opção de acompanhar o ritual em silêncio ou afastar-me porque, afinal de contas, são três famílias maravilhosas.

    Entendam: o debate na esfera pública são outros quinhentos. E, neste debate, nós chegamos para ficar. Ateus, saiam do armário. Sem medo. É muito melhor.

  • Qual o espaço que uma vida ocupa?

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    Pode ser medido em anos? Pode ser avaliado por seus feitos? Pode ser medido ou avaliado? Poder, pode, mas pra que serve? Exemplo? Sim exemplos. Os bons ou os ruins? O que é bom e o que é ruim? Depende do ponto de vista. Somos bons ou ruins o tempo todo? Não, as vezes somos bons e as vezes somos ruins, dependendo do ponto de vista. Então pra quê servem os exemplos mesmo? Pra errar menos. Algumas vidas erram menos que outras no seu curso? Provavelmente sim, mas basta um só erro pra acabar com ela. Então vale a pena se preocupar em errar menos? Bom, tentamos diminuir as chances de ter problemas. Mas não são os problemas que nos fazem evoluir? Sim, mas depois desta «evoluída» passamos pra próxima. E pra que serve mesmo? Tem um fim esta evolução? Deve ter. Deve ter??? Então tudo termina em uma interrogação? Bom, dizem que depois de tudo tem Deus. E Ele acabará com todas as dúvidas? Com certeza! Ufa! uma certeza! Mas pode ser também que não haja nada depois…Sim é uma hipótese…Bom o «nada» é uma espécie de certeza também, se não há nada depois pra que ficar perguntando né? Mas, por que a gente não consegue parar de perguntar, se de um jeito ou de outro encontraremos uma espécie de certeza? Porque somos inteligentes. Ser inteligente não significa achar respostas? PÔ! QUE CARA CHATO MEU!!

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    Enquanto isso, em uma vida qualquer:

    Quem guarda tem.
    Guardei uma pilha de livros
    no canto da sala
    para ler quando tivesse tempo.

    Empilhei algumas palavras
    pra te dizer o que sinto,
    quando chegasse o momento.

    Coloquei na gaveta aquela viagem,
    na prateleira aquela idéia,
    no armário, aquele plano.

    Eu sou tão organizado e tão parado.
    Eu sou tão previdente e atarefado,
    tão vivo e entediado

    As lembranças por ordem alfabética,
    as fotos por data,
    os amigos por classe,
    as roupas por cores,
    a solidão, por amores,
    até que a febre passe.

    Estou tão atarefado e tão cansado,
    sou tão sensível e descartável,
    simpático e sociável,
    tão vivo, e tão cadáver.

    O que você faz da sua vida, enquanto ela passa?

    Enquanto isso, em outra vida qualquer:

    Quem guarda, o que tem?
    passado presente, memória insistente.
    Livros lidos, doei!
    Tempo, desperdicei!

    Não guardei nem palavras
    que pudessem represar sentimentos.
    Paz! Quem não as guarda, tem.

    Não tenho gavetas, quase não tenho móveis.
    Tenho idéias que solto ao vento,
    tenho planos que duram um momento.

    Eu fui tão desregrado e audaz,
    tão inconsequente e desapegado,
    tão vivo e despreocupado.

    As lembranças na ordem que elas quiserem,
    as fotos na memória,
    os amigos na minha história,
    as roupas no corpo,
    a solidão, é conforto
    até que a febre passe.

    Estou tão realizado e tão cansado,
    em paz com homens e santos.
    Nunca estive tão pronto
    para me tornar passado.

    Por que insiste em mim esta vontade de continuar vivendo?

  • O Derradeiro Anúncio

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    Lápides são uma síntese do que vivemos, por que será que são tão econômicas em informações?

    detalhe tumulo oscar kauerRaramente vou a cemitérios, mas quando vou fico observando as lápides e os anjos imóveis. Tem aquela brincadeira «O que você escreveria na sua lápide?» Já vi respostas geniais por aí, como a do hipocondríaco: «Eu não disse?» Só que na (vida?) real as lápides raramente tem algo além de duas datas e uma foto em sépia.
    Daí fico pensando, uma vida inteira, o intervalo entre aquelas duas datas e nem uma frasezinha ou uma piada para dar uma dica de quem foi aquela pessoa, agora em tons desbotados como um fantasma nos olhando com a mesma cara de interrogação de quem está do lado de cá.

    Claro, o que fica é o que fazemos em vida, nossas obras, nossos ensinamentos e atitudes, mas a lápide é o último anúncio, o detalhe, a página final de uma obra e de uma caminhada, poderia ser mais do que uma pedra com duas datas e uma foto. As vezes a própria pedra parece ter mais história do que o ente que representa.

    Mas a tecnologia está nos permitindo ir além da pedra, já tem capelas multi-mídia onde você pode ver fotos, história e até um depoimento do finado.
    Mas o que eu acho mais legal, por ser mais acessível e democrático, são as lápides e túmulos virtuais, em cemitérios virtuais. Sem problemas de espaços para mensagens e homenagens, neles podemos saber mais sobre quem já viveu.
    As visitas também são mais práticas pois agora o morto está literalmente onipresente, basta um computador e um acesso à internet. E as flores? Nunca murcham e não poluem como as flores de plástico.
    Com o tempo a cremação dos corpos vai substituir o tradicional enterro, por questões de espaço e ambientais, então as lápides virtuais substiturão os velhos cemitérios.
    Imagine que você pode trocar, de tempos em tempos, o lay-out da lápide do seu ente querido, lápides conceituais, de primavera, Natal, aniversário…
    A morte até vai parecer menos soturna, talvez debaixo do manto tenha um smile em vez do mistério sombrio que a figura traz até hoje, de tempos medievos.

    É isso aí Dona Morte, temos que adequar sua imagem aos novos tempos, tá na hora. Eu iria mais longe, redesenharia o conceito de morte para algo mais atual.
    Hoje fala-se tanto em inovação, em reciclagem e obsolescência de conhecimentos, o que sabíamos há cinco anos já não serve mais, o que ÉR(r)AMOS há meia dúzia de anos já não é mais. Ou seja, «um-eu-do-passado» já morreu. Como era? Em que acreditava? O que sabia?
    Que tal fazer uma lápide e um túmulo para estes «eus» que morrem de tempos em tempos? Loucura? Pode ser, mas eu acho um belo modo ampliar o autoconhecimento e permitir uma arqueologia dos nossos valores, crenças e quotidiano. Você vai escrevendo como em um diário, suas experiências, crenças e vivências, um belo dia faz uma retrospectiva do que já escreveu e se dá conta de aquele eu já mudou tanto que não é mais a mesma pessoa. Daí tá na hora de convidar seus contatos para um enterro de um eu passado e o renascimento de um eu futuro, tudo lá, no limbo virtual.
    Estou pensando até no nome deste site de «relacionamentos» de mortos: «Morkut» , e o slogan: «I click dead people…».
    Já pensou em se sepultar na web?

    Bom, mas toda esta viagem começou com o que escreveríamos na nossa lápide, há alguns anos eu decidi, vou escrever «Já estive bem pior» e na época eu preparei a explicação para esta decisão conforme segue abaixo:

    “Já estive bem pior»
    esta é a frase da minha lápide
    pode parecer despeito,
    pode parecer desrespeito
    mas é a pura verdade.
    O que pode ser pior pra saúde do que a vida?
    Desde que nasci comecei a envelhecer,
    quando ainda não tinha conhecimento
    tinham monstros e entidades pra temer,
    quando comecei a pensar
    descobri que dói aprender.

    Quando era criança queria ser homem
    Quando homem, criança
    Quando jovem, crença
    Quando velho, paciência.

    Tá certo, não tive muitas doenças
    tive amores, filhos, desequilíbrio,
    crises de existência.
    Agora que já não existo, não tenho crises
    nem os amores nem a beleza da arte e da vida,
    mas tenho o orgulho
    de ter uma lápide que alguém vai ler e pensar:
    “Que cara louco, como pode
    a vida ser pior que a morte?
    Um pobre coitado, não teve sorte”

    Então eu terei dado o crédito à vida
    que me venceu e foi uma respeitável oponente,
    mas só depois de morto
    porque não me entrego facilmente.

  • Hemistérios, hipotálamo, Shakespeare e arte.

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    mao e cerebroA história se passa dentro do organismo humano.

    Um rei, o Hipotálamo, centro do prazer, ama e é justo com os dois hemisférios cerebrais.
    Direito e esquerdo, Imaginativo e Lógico. Hipotálamo distribui prazer e carinho a ambos mas Imaginativo crê que o rei ama e admira mais Lógico.
    No mundo imutável intracraniano, o movimento é de um leve pulsar, e os impulsos elétricos são únicos e idênticos, mas causam sensações diferentes.

    Imaginativo não consegue concentrar-se, em vez disso imagina (lógico!) o que poderia fazer para ser lógico e conquistar a suposta preferência de Hipotálamo.

    Lógico não imagina (lógico!), apenas responde matematicamente aos impulsos de Hipotálamo, em um sincronismo perfeito.

    Imaginativo cobiça este sincronismo, que para ele é a representação do perfeito amor. Ele se perde nas respostas, perde tempo vivendo uma vida que não é sua, a cada minuto cria uma história que não lhe serve, joga-as fora e começa tudo de novo, vivendo assim um drama constante de muitas vidas criadas
    .
    Mal sabe ele que lá fora, suas histórias descartadas viram arte nas mãos de um corpo que com traços lógicos representa a imaginação.

    O Rei Lear é uma peça de William Shakespeare que fala do amor de um rei pelas suas filhas, para as quais decide dividir em vida, seu reino e se ­­aposentar.
    O resultado é uma tragédia de intrigas, cobiça, traição e loucura.

    Akira Kurosawa, cineasta japonês, fez o filme RAN, uma versão oriental da tragédia shakespeariana.­­
    Li o livro, vi o filme e resolvi escrever e desenhar uma historieta menos trágica e muito menos convencional.

  • Olá! Eu sou o ano novo e antes mesmo de chegar vou ter que dizer umas verdades para vocês!

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    2009 é meu nome, e vocês irão comemorar em minha gestão, entre outras coisas, o segundo centenário do nascimento de Charles Darwin.
    Não vou desmerecer nenhuma outra comemoração, só vou tomar esta como inspiração para o que tenho que lhes dizer.

    Darwin, todos sabem, foi o naturalista que criou a teoria da evolução das espécies. O meu colega, o 1809 é todo orgulhoso de ser o ano do nascimento do Charles, mas o 1859 diz que é mais importante pois foi ano em que foi escrita a obra «A origem das espécies».

    O 1809 e o 1859 sempre brigam por isso em nossas reuniões «anuais»…

    Aliás, esqueci de falar, e esta é uma grande revelação que vou fazer, nós os anos, temos reuniões «anuais»…incrível não?
    Estas reuniões servem para nós novatos, colhermos experiências dos anos passados e não entrarmos assim, tão inocentes, na contagem do tempo.

    Na reunião deste ano tivemos vários depoimentos inspiradores.
    No discurso mais esperado, o do nosso mestre ano 1, nos falou de como foram deturpados os valores cristãos, que deram início a nossa estirpe.

    Disse o mestre 1:

    « Recebi a honra de iniciar a contagem, eu e meus 530 colegas seguintes dividimos esta honra, fomos criados de uma só vez para iniciar esta irmandade. Sim, existiam guerras e injustiças naqueles tempos, sabemos que sempre haverá…mas existia também uma esperança com a filosofia cristã, percebíamos entre suas pregações uma idéia simples:
    - Faça o bem e trate aos outros como você gostaria de ser tratado, ame o próximo – era simples o suficiente para ser entendida, para dar certo…depois meus colegas presenciaram uma distorção destes valores ano após ano, gerando conflitos e mortes. Está ali nosso nobre colega 1572, deprimido até hoje pela noite de São Bartolomeu…. Uma noite destruiu seus 365 dias. Normalmente ficam impressos em nós mais horror e iniqüidade do que heroísmo e retidão.
    Não temos a capacidade de fazer, apenas somos o espaço onde os fatos acontecem. No início somos esperança, no final experiência. E para que serve a experiência? Para evoluir…»

    Evoluir…Evolução das espécies…Darwin…

    Ouvi o discurso do mestre 1, observei os colegas, vi os anos de chumbo bêbados e inconvenientes, nunca se equilibraram depois de tudo que viram. Para eles, a expressão «anos de chumbo» tem outra conotação, a do peso que não conseguem carregar nem se livrar.
    1918 e 1945 contando os mortos acumulados das grandes guerras que viram terminar, meus colegas mais próximos fazendo o balanço do terrorismo.
    Anos mais otimistas tentavam equilibrar a situação, falando dos avanços científicos e fatos positivos de seus dias, mas o saldo restou negativo.

    Esta é a nossa função, carregar a memória da humanidade, não fossem atos de heroísmo e amor, na maioria das vezes isolados dos grandes fatos históricos, seria insuportável ser o que somos.
    Vi que ser passado e passivo está muito perto de ser uma maldição, resolvi então ser futuro e passar uma mensagem a vocês que fazem o que nós, os anos, seremos para sempre. Somos presente agora, para ser eternidade no futuro.­

    Resolvi então discutir a nossa relação, quero exigir de vocês uma responsabilidade que foi transferida para nós, a esperança.
    Quando, no final de um ano vocês expressam seus desejos aos que amam, vocês escrevem:

    «Que o novo ano traga felicidade, paz e prosperidade…»

    Não trazemos nada, somos o espaço onde cabem suas atitudes e decisões, somos a memória do que você fez, deixou de fazer ou o que deixou que fizessem. Vocês nos criaram assim, para catalogar seu feitos por data, organizar sua cronologia. O mérito dos fatos, o resultado das ações pertencem aos criadores não a nós criaturas.

    Por tudo isso, quero começar diferente, quero deixar para você que me lê, o meu cartão de felicitações e desejos:

    cartao 2009

  • Muito bem pessoal, vamos começar a reunião de brainstorming!

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    Retomando o briefing: Criar uma campanha para valorizar o monoteísmo, divulgar e vender os valores humanitários, missionar o povo e acabar com a bagunça de deuses, crenças e barbárie impostas pelos romanos e suas conquistas desenfreadas.»”…

    …Tiago Maior, como está o logotipo da campanha?

    Tiago Maior: Prontinho! Trouxe o layout pra gente avaliar…Utilizei um elemento gráfico básico da cultura pagã, ele tá presente no disco do zodíaco que todo mundo conhece, com isso a idéia já parece familiar desde o início e economizamos o tempo de convencimento que teríamos com um símbolo totalmente novo…
    Tã-dããm!!!

    Judas: Uma cruz?! Meio simplinho né!

    Tiago Maior: Menos é mais Judas, menos é mais! Além disso a reprodução é fácil, temos que pensar que ferreiros, carpinteiros e pedreiros terão que reproduzir a marca, a maioria não vai ler um manual de identidade visual complicado e cheio de cálculos, além disso só vão inventar o Ilustrator e o Corel daqui a dois mil anos…

    Pedro: Eu gostei, adequado à realidade destes tempos.

    Tomé: Vi e gostei! Por mim aprovado também!

    Jesus: Filipe, Bartolomeu, Tiago Menor e vocês que estão cochichando aí no canto, aprovam? Temos outros assuntos pra discutir!

    - APROVAMOS!!

    Jesus: Óquêi! Vamos ao plano de mídia…

    Judas: Só tem um probleminha, os romanos agora estão com a mania de pregar gente neste símbolo aí…

    ( Tiago Menor, Filipe, Bartolomeu, João, Mateus e André saltam:)

    Era justamente sobre isso que estávamos discutindo, estamos com uma idéia bastante ousada pro lançamento da campanha, fala aí João!

    João: Bom, realmente os romanos estão cada vez mais violentos, como se já não bastassem os jogos na arena e as torcidas organizadas se matando, agora tem estas crucificações, isto está bastante desagradável para nós que queremos divulgar a palavra Cristã.
    Avaliando esta situação toda, criamos uma ação estratégica ousada…bastante ousada…mas que, a nosso ver, mudará tudo e atrairá todas as atenções para a nossa causa. Não precisaremos mais de panfletos, arautos nem dos sofistas, serão todas as mídias numa só ação, nós a chamamos de
    «A mídia das mídias»…

    Jesus: Fala logo homem! Tô ficando nervoso!! Que idéia é esta?

    João: Bom, como todos já sabem, Jesus é o nosso garoto-propaganda, a imagem dele representa nossa causa. E nem precisamos falar que sendo o filho do Altíssimo sua reputação é ótima né senhor?

    Jesus: Sei, sei…

    João: Bom o que nós propomos exige um boa dose de sacrifício pessoal…de sua parte senhor Jesus…

    Jesus: Mas fala logo esta idéia, já to com dor de estômago…

    Judas: Falando nisso, a que horas é a ceia ein? Tô com fome…

    João: Bom a gente propõe que o senhor seja crucificado pelos romanos e se torne um mártir da causa…

    Jesus: O QUE??

    Tiago Maior: UAU! Isso que é fixação de imagem, pregar o garoto propaganda no logotipo!!!

    João: Permita-me concluir senhor, este evento seria seguido de uma…ressureição…

    ( Histeria geral entre todos os apóstolos…)

    Bartolomeu: SILÊNCIO! SILÊNCIO! Vamos ouvir o que o mestre Jesus acha da idéia!

    Jesus: Pô, eu não queria pedir mais nada pro Pai, ele me mandou aqui para que eu gerenciasse estes conflitos e trouxeste paz à terra, ele anda tão ocupado, vocês não imaginam o tamanho do universo que ele tem que organizar… Esse negócio de ressurreição tem que ser com Ele…

    João: Mas imagina o efeito senhor, esta história pode durar por milênios…

    Bartolomeu: E afinal, o que é uma ressurreiçãozinha pro Todo Poderoso?

    Jesus: Devo confessar que a idéia me agrada, é uma ação que só nós temos condições de executar, tem impacto, acabaria com a concorrência…

    João: Então! Fale com Deus, ele vai gostar da idéia…o povo anda tão incrédulo, um milagre destes contribuiria pra reforçar a imagem Dele também…

    Jesus: Óquêi, eu ligo pra Ele depois, mas como vamos fazer pros romanos me crucificarem? Vou ter que ir pichar a casa do Pilatos de novo e deixar que me peguem desta vez?

    André: Já pensamos nisso também, tem que ter uma traição, pra apimentar a história, sabe como o povo gosta de desgraça e intrigas, e como o Judas tem uns amigos legionários ele poderia entregá-lo por dinheiro…

    Judas: Ah Tá! Eu sou o «traíra» agora…

    André: Mas Judas, você é o único aqui que tem amigos romanos, e é apenas uma estratégia, é pelo sucesso da campanha, olha o sacrifício que Jesus vai fazer…

    Judas: É, mas Ele ressuscita, a minha imagem não…

    André: Bom, sem isso não tem como tocar a campanha, teremos que pensar num plano B…

    Judas: Peraí, tu falou que eu entregaria Jesus por dinheiro?

    André: É!

    Judas: Posso ficar com o dinheiro ou tenho que entregar pro caixa da campanha?

    André: Pode ficar!

    Judas: Tá!

    João: Beleza! Tocamos a campanha então, depois vamos editar um livro com toda a história, já estamos cadastrando uns jovens pintores e escultores muito promissores pra eternizar tudo em belas obras…

    Tomé: Olha! Tá servida a ceia!

    Judas: Finalmente…Santa Ceia!

    Tiago Maior: Ei! Este seria um bom nome prum quadro…

  • Idéias são como vírus.

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    Eu tenho uma laranja e você tem outra, se trocarmos as laranjas, cada um de nós continuará tendo apenas uma fruta. Eu tenho uma idéia e você tem outra, se as trocarmos, cada um de nós terá duas idéias. Este é o objetivo deste blog é expor, trocar, experimentar e fomentar idéias, não só as gráficas e publicitárias, mas tambem as filosóficas, as viagens, os devaneios e os planos para mudar o mundo, é isso, está no ar o “ideiavirus”, uma praga bem-vinda.
    Aqui você tambem vai conhecer um pouco mais da Kauer idéia e imagem, empresa que está há 21 anos vendendo idéias que vendem. Bem-vindo!

  • Verão: Quando nossos genes mais anunciam.

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    [img:Pagina_Kauer_01_1_2.jpg,resized,centralizado]

    Uma bela bunda é um out door que diz: “Aqui! boas chances de perpetuar a espécie.”

    “O ovo usa a galinha para se reproduzir.” Jamais vou esquecer esta frase que li no livro “Como a mente funciona” do cientista cognitivo Steven Pinker. O que Pinker quis dizer é que os seres vivos são dominados por um gênio da espécie que quer se perpetuar e, para isso, usa de todos os recursos disponíveis.
    A galinha, portanto, é apenas a fábrica do ovo que será responsável pela manutenção daquela espécie penosa.
    O cio é mais um artifício do gênio da espécie, é quando ele diz ao seu hospedeiro que está na hora de se reproduzir.
    Nós – animais humanos – não temos cio, ou estamos permanentemente nele, não sei, mas esta nossa característica complicou o que a natureza tinha simplificado nos outros animais.
    Mas que artifícios o gênio da espécie usa em nós, já que somos donos de uma mente bem mais complexa?
    A propaganda, óbvio! O gênio da nossa espécie pegou alguns neurônios e montou uma agência de propaganda, escondida lá num canto do cérebro. A agência tem um só cliente, o hipotálamo, nosso centro do prazer e uma conta permanente: Promover o sexo como a atividade mais legal, divertida e prazerosa da vida.
    Muito bem, campanha criada precisamos de mídia, então assim como o ovo usa a galinha para a reprodução, o gênio da nossa espécie e a sua agência usam nossa linguagem e nosso corpo como anúncio.
    Para o homem uma bela bunda é um out door que diz:
    “Aqui! Boas chances de perpetuar a espécie.” Para a mulher um corpo masculino sarado e/ou uma boa capacidade de articulação e bom-humor transmitem mensagem similar.
    E lá vamos nós, nos achando os mais espertos e donos dos nossos narizes enquanto somos impelidos por ele, o gênio discreto por trás de tudo o que fazemos, a perpetuar a espécie humana.
    Com a chegada do verão nos trópicos é alta temporada de anúncios vendendo perpetuação. Corpos à mostra, baladas, bares, muito papo e cantadas de todo tipo são elementos de uma ruidosa campanha de propaganda que nunca pára, mas se intensifica com o calor.
    Em propaganda, às vezes acontecem o que chamamos de “ruído” na comunicação. É quando em algum momento da campanha um termo, frase ou estratégia não gerou o resultado desejado, obrigando a pequenas correções de rota. Vamos exemplificar, no caso da campanha promovida pelo nosso gênio da espécie, ruídos de comunicação típicos seriam:
    - Out door sem manutenção ou sem acabamento – um anúncio feio, caindo aos pedaços e mal desenhado depõe contra o produto anunciado. No caso o out door e o produto são a mesma coisa, você! Exercícios físicos, boa alimentação, roupas legais e higiene pessoal são manutenções necessárias ao anúncio-produto chamado ser humano.
    - Mensagem equivocada ou desatualizada – As cantadas ou o approach são ferramentas que podem facilmente se voltar contra você. Cantadas velhas, de mau gosto ou só por serem cantadas já podem fazer dar tudo errado. Como toda campanha, para dar certo você deve estudar o seu público-alvo, faça o tema de casa, analise o público, seus valores e em que grupo está inserida sua “vítima”. Ler e estar sempre bem informado é essencial, pessoas sem conteúdo são anúncios vazios.
    - Anúncio ousado demais ou exagerado – Se prometeu tem que cumprir, ainda mais se o produto quer ser comprado muitas vezes, para isso temos que ser autênticos e não anunciar o que não temos. Beber demais normalmente leva a exageros e erros na execução da estratégia, lembre-se, à medida que vamos bebendo, passamos por três estágios: Primeiro a criança, depois o leão e por último o porco. Evite a todo custo chegar ao último estágio, pois a campanha toda pode sofrer prejuízos irreversíveis.
    - Pouca verba – Campanha com verba curta só tem chances de sucesso com muita criatividade; na ausência destes dois quesitos não anuncie.
    - Escolha do slogan – Um bom slogan deve dizer de forma sintética o máximo sobre o produto ou o que ele promete. Ao falar sobre você conheça-se primeiro, avalie suas qualidades e deficiências e valorize o que tem de bom. Lembre que a concorrência está sempre de olho

    Pra finalizar, preste atenção nos anúncios, todos, os anúncios-humanos e os da mídia tradicional, avalie os que lhe atraem e os que não. Só isso já vai dizer muito sobre você. Boa sorte!