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Passado presente
jan 20, 2012 | Artigos, Charges No comments yet -
Dia dos Sem Orgulho.
ago 5, 2011 | Artigos, Charges No comments yet
Tenho visto as minorias, finalmente, terem voz e vez, criarem seus dias e passeatas.Bem antigamente tinha o dia do índio, que era o único dia de uma minoria, que hoje nem se comemora mais direito, de tão minoria que o indio virou.O dia de Zumbi dos palmares - também me lembro, virou o Dia nacional da Consciência Negra.Depois veio a passeata do orgulho gay, o foco foi ampliado LGBT - eu acho, estou desatualizado da sigla, e agora surgem dias e passeatas cada vez mais especializados. Em se tratando de minorias discriminadas, nada mais justo: estes movimentos são importantes para que haja a consciência da diversidade social, cultural e sexual, tornando o racismo e a violência contra minorias e contra os “diferentes” cada vez mais vistos como crimes.Agora o que me fez cair os bottons do Che Guevara foi a proposta da criação do Dia do Orgulho Hétero. Sim, nós héteros somos diariamente discriminados, submetidos à violência…por favor… Qual será o próximo passo? O grupo hétero vai exigir o direito de poder dar uns tapas num homossexual de vez em quando?Esta proposta abriu um precedente e me deu uma idéia: Quero criar o Dia dos Sem Orgulho!!!Pense bem, eu não tenho mais orgulho em pagar impostos nem de ver as noticias diárias.Não tenho mais orgulho de ver tanta visão distorcida de fatos e de exageros politicamente corretos, uma vez que mudam as expressões e os problemas permanecem.Meu orgulho se escondeu de vergonha quando os deputados aumentaram os próprios salários e depois quiseram processar um músico que os criticou com um rap. Orgullho de salário só os políticos têm. Não consigo ter orgulho da proliferação de subcelebridades que aparecem como artistas cujo único talento é ter uma bela bunda e a capacidade de movimentá-la. Não tenho orgulho em convidar um amigo para visitar minha cidade, pois ele vai cair em um dos muitos buracos que temos como cartão de visitas.Existem ainda alguns motivos para se orgulhar, eu sei, e é em favor desta minoria que quero um dia para lembrar, valorizar e fazê-los crescer, pode ser o dia Primeiro de Abril, não me importo.
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Informo com pesar: Meu amigo buraco morreu afogado.
jun 7, 2011 | Artigos No comments yetA água é implacável, sem ela não vivemos, mas se lhe tiramos o sagrado direito de ir e vir, conheceremos sua fúria. Sem ela não existiríamos, ela nos deu a vida e a mantém. Como negar-lhe o direito de tirar uma ou outra vida de vez em quando, quando lhe faltam com o devido respeito?
Como uma deusa ela é, pode e faz, e quando uma ou muitas vidas se perdem no seu abraço sempre fica o pesar.
Conhecemos o poder deste elemento, mas insistimos em desafiá-lo, insistimos em aprisioná-la em dutos apertados demais, como se não tivéssemos a inteligência e a competência de fazer cálculos.
Insistimos em encher os tubos apertados com as tralhas que queremos ver longe dos olhos, então ela vem até nós fazer seu protesto, coisa que não fazemos com quem pagamos para fazer cálculos e dutos.
No último protesto das águas em nossa cidade, mais uma vez, comércio e residências, foram presenteados com lama e prejuízos. Interessante como as nuvens têm ofuscado facilmente o sol que nos guia.
Um dia depois da última enxurrada, como de costume, vinha para o trabalho e aguardava o tradicional “Bom dia” do meu amigo buraco, e agora também de sua numerosa prole, lindos bebês-buraco que nasciam em profusão.
Pensava comigo: “Este buraco é um garanhão!”
Ao me aproximar constatei com horror:
TODOS MORTOS!!
Jaziam apenas seus esqueletos côncavos, lavados de sua alma. Sem mais “bons dias” sem mais conversas profundas, sem mais filosofia. Suas presenças porém, continuam ali, num cemitério a céu aberto. Como sepultar um buraco?
Após passada a revolta decidi que a melhor homenagem aos meus amigos seria seguir seu exemplo: ser profundo.
Em vez de depositar-lhes flores mortas devo trazer seu legado à vida, filosofemos irmãos:
- Um buraco é uma ausência em um pedaço do caminho. O caminho não existe de fato, só há caminho se há alguém para andar. Andar é necessário para suprir nossas necessidades de sobrevivência. Sobreviver é um ato contínuo que repetimos impelidos por um instinto. Instinto é uma força natural que nos permitiu existir e que tentamos minimizar substituindo-o por algo mais nobre e divino, a inteligência. A inteligência é uma capacidade mental única, presente com maior evidência em humanos, nos permite raciocinar, planejar, resolver problemas, abstrair ideias, compreender ideias e linguagens, aprender, criar caminhos e desviar de buracos.
Chegamos nele de novo, o buraco, que significa ausência e vazio. Vazio que durante toda a vida buscamos preencher, seja o vazio do estômago, da solidão, das perguntas ou do sentido da vida.
Preencher vazios está na essência da história humana…peraí! Tudo que a gente é, toda a nossa capacidade se resume a tapar buracos? Então como ainda tem tantos pra tapar? Somos completamente incompetentes, tapamos um buraco abrindo outro, piada que somos.
Faz algum tempo que decidi não me estressar muito em buscar um sentido pra vida, o divertido está no caminho da busca.
Querer achar um sentido único pra vida é cavar buraco n’água…a água matou meu amigo buraco, ela se vingou, taparam os buracos por onde ela passava, deu nisso, inocentes sempre pagam.
Inverno vem aí, novas enxurradas. O que a gente faz quando alaga? Nada?




