• Coisas grandes, muito grandes e embasbacantemente grandes.

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    Mil segundos = 16,6 minutos
    Um milhão de segundos = 11 dias e meio
    Um bilhão de segundos = 32 anos

    Se você gastar um real a cada segundo, você termina com um milhão de reais em 11 dias e meio.

    Se o nosso Sol fosse do tamanho de uma bola de basquete, a Terra seria do tamanho de uma ervilha.

    A super-gigante estrela Antares distante 600 anos-luz da Terra, é 700 vezes maior que nosso sol e brilha 10 mil vezes mais forte. Se Antares fosse do tamannho de uma bola de basquete, nosso Sol seria um ponto de lápis. E a Terra? Visualmente não existiria.

    Comparativamente, se o tempo de existência do nosso planeta fosse de um ano, o tempo de existência do ser humano no planeta seria de 1 segundo.
    (Terra = 4,5 Bilhões de anos X Homo Sapiens = 200 mil anos)

    A velocidade da luz é aproximadamente 300.000 quilômetros por SEGUNDO, ou seja, enquanto você fala «Um Jacaré» a luz já está lá na P.Q.P.

    «O Universo é uma esfera infinita cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte nenhuma.»
    Blaise Pascal

    Segundo Thomas Hobbes «Não concebemos o infinito, apenas concebemos nossa incapacidade de concebê-lo.»
    Na nossa cabeça não cabe o infinito mas imaginamos que ele é «o cara» do mundo das coisas grandes pois tudo nele cabe.

    Toda vez que olho um documentário sobre o espaço, o tempo e estas coisas que são SupermothafuckerPowerRangers-grandes, sinto-me tão, mas tãão pequeno e insignificante, que só mesmo o pensamento para me trazer de volta. Afinal de contas, com ele, o pensamento, eu fui nos confins do infinito e voltei para meu grão. O pensar e o imaginar são passagens, bilhetes, que nos garantem trânsito entre o saber e a loucura, por isso é sempre bom conhecer cada vez mais o caminho de volta.

    Quando adolescente eu fui atormentado por um sonho recorrente, era assim: Eu estava só em um mundo vazio, liso e polido como aço. O Horizonte numa linha reta perfeita encontrava o infinito perfeito e tudo era estável e firme.
    Mas a estabilidade dependia só de mim, a medida que meu pensamento começava a me trair, eu começava a analisar e questionar aquele mundo perfeito, tudo começava a se contorcer e amassar, sob uma pressão invisível e titânica.
    Eu me apavorava e aí é que a concentração ia pro brejo (que não existia no meu mundo) e tudo acabava sendo destruído e eu junto. Acordava em pânico, isso durou bom tempo.
    Eu não tinha dinheiro pra psicanálise, tampouco meus pais, em suas humildes vidas, nem dinheiro nem a compreensão destas afecções do espírito.
    Aos poucos o sonho me deixou, juntamente
    com várias «certezas» impostas por repetições, credos e tradições.
    Fui me virando com as leituras e discussões com um punhado de amigos, comecei a manter as certezas sob sabatina permanente e fiz as pazes com as dúvidas. Santo remédio.
    Segundo os gregos «é no espanto que o pensamento começa».
    E como tenho me espantado! Com as grandezas do universo e com as pequenezas humanas, com o que existe e com o que poderia existir, com a subserviência às certezas nos olhos do velhos, com a vitalidade da curiosidade nos olhos do meu filho e com a energia renovadora da aventura nas decisões de minha filha.
    Me espanto também de como é fácil nos convencer de que devemos buscar a rotina, escolher uma verdade como ideal de vida e acabar com os questionamentos para finalmente viver «em paz». O caos nos mantém vivos e nos afastamos dele desesperadamente. Não queremos viver por muito tempo, só queremos ir morrendo o mais devagar possível.

    Temos a esperança de ganhar na Mega Sena pra não fazer mais nada…se ganhar aí é que tem que fazer mais ainda.
    A propósito, a chance de acertar os 6 números com o jogo mais simples é de uma para 50.063.860 (cinquenta milhões sessenta e três mil oitocentos e sessenta) ou 0,000002%.
    Mas alguém ganha então temos esperança, só que milhões de jogadores não ganharam e o incrível é que este número não abala a esperança, ela é, portanto, mais uma destas coisas grandes que me impressionam no universo, como a estrela Antares ou o próprio infinito.
    A palavra esperança sempre me soou como um «coletivo de esperas» e esperar sem nada fazer é…esperar sem nada fazer.
    «Quem espera sempre alcança» é uma das pseudo-verdades repetidas à exaustão que exorcizei no passado.
    Quem espera sempre cansa.
    Bom, após viajar na maionese universal é hora de tomar o trem de volta ao mundano, e nada melhor do que finalizar a viagem com Nietszche: « O homem é uma ponte entre o animal e o além-do-homem.» Temos instintos animais, corpo e existência finitos, e dentro deste corpo frágil que não nos permite suportar intempéries, temos aprisionado o pensar que nos eleva a condição de deuses. Nem sempre onde a mente quer ir o corpo pode levar, daí ela vai sozinha mesmo.
    Quando o ser humano ficou pronto, alguém lá no além deve ter se indignado ao ver o resultado:
    «- Quem foi o idiota que instalou a mente de deus num corpo de macaco? Tão de sacanagem pô!»
    Diante da grandeza de tudo que nos cerca podemos até nos sentir insignificantes, mas somos mundos à parte e é um pecado mortal ter apenas certezas, porque o que nos faz evoluir não são as respostas, são as perguntas.

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This entry was posted on abril 8, 2010 at 6:47 pm
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