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O cérebro ficou obsoleto, hoje basta ter bunda!
dez 8, 2009 | Artigos No comments yet
Final de ano, época de reflexão, momento de repensar valores…
Fazem séculos que pelo menos uma vez por ano a gente repensa os valores e eles estão cada vez mais fúteis. Desconfio que estamos fazendo alguma coisa errada!
A síndrome da celebridade instantânea profetizada por Andy Warhol chegou com força ao Brasil como chegaram as festas de Halloween com suas bruxas e “jack o’lanterns” substituindo nossos Sacis-Pererês e Boitatás. Ser celebridade é o valor da moda, bruxas, lobos, múmias e donzelas, todos querem seu lugar ao sol midiático. Se for preciso comer a vovozinha, tudo bem!
Nos EUA pra ficar famoso vale tudo, uma das últimas foi o «Ballon Boy» que movimentou imprensa e equipes de socorro atrás de um balão de hélio onde supostamente um garoto de seis anos estaria preso e em risco de vida. O Twitter explodiu em tuitadas sobre o assunto, a CNN, sites, jornais, todos voltaram os olhos para o assunto para depois saber que a família do garoto era dessas viciadas em mídia e que tudo foi uma armação.A mídia é um animal faminto, alguém tem que lhe dar de comer, para isso vale tudo, tentativa de suicídio, fiasco, engodos e a especialidade brasileira: Bundas!
Este ícone brasileiro está na mídia faz tempo, primeiro era artigo de revistas especializadas, bundas famosas do «grand monde», vieram os Big Brothers com bundas que levaram suas proprietárias á fama, depois ela virou produto de «consumo» e começou a se popularizar na feira com as mulheres-hortifruti e, finalmente, com o advento do YouTube qualquer bunda pode ter sua glória.
Teve aquela professora que foi dançar no palco a «atoladinha» ou «enfiadinha»…sei lá. No vídeo dá para ver que ela está lá pra ser «Youtubada» mesmo, suas nádegas navegam sem pudor fornecendo farta exposição às lentes dos inúmeros celulares e câmeras digitais. Claro que os dedos ágeis do vocalista da banda navegaram mais…Agora veio a Geysi com sua micro-saia rosa, ganhou uma expulsão, uma revogação de expulsão e provavelmente um «ensaio» fotográfico sem a micro-saia. Alguém me contou que ela já esta fazendo ponta em programas de humor que não assisto, era de se esperar.
Não vou entrar no mérito da atitude neocareta da turba de colegas da moça, ela exagerou e o
bando de estudantes exagerou mais.O que me chamou atenção foi o depoimento de um estudante que estava lá e presenciou
o episódio desde o início. Este depoimento veio do site do Luciano Pires em um dos fóruns de discussão que ele mantem. Entre outras coisas o estudante diz:
«A moça ainda não havia começado a subir a rampa quando alguém parou toda a universidade
com um “fiu fiu” que ecoou para todos ouvirem bem. Voltamos os olhares para a causa de tanto entusiasmo. Nessa hora todos que lá estavam puderam ver uma moça loira com um micro vestido pink que a essa altura quase mostrava suas partes íntimas. Sim meus caros, ela pode vestir o que quiser e sim, ela tem um belo corpo que pode ser mostrado e apreciado com o consenso de todos.
A final, outras meninas também usam roupas curtas na Universidade.
Alguém ai já parou para pensar por que somente o vestido da Geisy causou tanto estrago? Sabe o que a diferencia das outras meninas que gostam de usar roupas curtas? COMPORTAMENTO e OBJETIVO
A Geisy ao ouvir o tal “fiu fiu” iniciou um verdadeiro “desfile” rampa acima com direito a subidinha do vestido que a essa altura já mostrava sim tudo o que se queria ver.
Conforme as manifestações aumentavam ela teve diversas vezes a “escolha” evitar a continuação do tumulto. Mas ao invés disso ela provocou mais:
- Andou pelo lado da rampa onde poderia ser vista melhor por todos.
- Subiu todas as rampas quando poderia ter escolhido as escadas.
Alguém ai perguntou “ninguém salvou a coitada da garota?” … sinceramente?!! … Ela não parecida querer ser salva!!! Estava desfrutando dos seus minutos de fama…»E por aí vai o depoimento do estudante.
Não tenho nada contra nádegas a mostra, nem contra bom-senso, este é um nobre valor para a vida em sociedade e àquela é uma bela obra da natureza, cada qual no seu momento. O que acontece hoje é que o bom-senso e outros valores nobres estão dando lugar à fama instantânea, nada mais importa além dos holofotes.
A banalização é a regra, as mulheres são desvalorizadas em letras de funks estridentes e desafinados, a música «popular» se torna cada vez mais pobre, a TV prolifera programas de auditório e realities onde a picuinha, a intriga e as bundas, sim elas, são o enredo principal. Sim, nas novelas, realities e no carnaval mostram-se bundas e toda sua vizinhança, a Geysi pensou: «Por que não na facul né?»
Mas se a mídia é este animal faminto, porque ela gosta tanto de carniça e tão pouco de filé? Porque o filé é caro? Pior que o filé cultural não é caro e a carniça é, quer ver?O conceito original de «Popular» é aquilo ao qual o povo têm acesso, ou seja, de graça ou quase. Se procurarmos existem muitas opções de exposições, apresentações, teatro e manifestações culturais sem custo ou com valor muito acessível.
(Tem um podcast do programa Café Brasil, tambem do Luciano Pires, que fala disso, é o programa “O que é popular”).
Mas procurar dá trabalho, ir no centro, pegar ônibus… se fosse carnaval ou showmício tudo bem…
Na minha cidade, que não é um grande centro tem a Fundarte, o SESC, o Grupo Rua dos Cataventos, o Espaço Vida Unimed e os escassos bares com nossos talentos musicais são exemplos disso, só para citar alguns. Mas isso não é popular, isso é para pessoas com «gosto refina do» para os «metidos a intelectuais».
Popular mesmo é pagar mais de R$ 30,00 por um CD do Bonde do Funk Histérico, claro, tem a versão genérica no camelô por R$ 5,00 (ainda é caro, considerando o produto).Popular mesmo é ligar a TV no Domingão e se atualizar de manifestações «culturais». O que seria de nós se a TV não nos dissesse o que é popular? Praticamente não teríamos cultura!
A mída tem culpa? Claro! Por que não mistura mais filé na carniça e vai refinando as papilas culturais aos poucos? Um veículo que teve o poder de eleger e derrubar um Collor não consegue?
Mas é Natal né? Então, tipo assim, meus sinceros desejos de menos bundismo na cultura e um 2010 com muito filé!
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This entry was posted on dezembro 8, 2009 at 1:54 pm
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