• A gravidez do travesti

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    Travesti-gravidaO romance forense – e sentimental também – pode ser assim resumido: um jovem de 19 anos descobriu que a namorada, que supostamente estaria grávida de cinco meses, era na realidade um travesti.

    Tudo ocorreu em um município de Santa Catarina e foi constatado, por acaso, após uma investigação realizada pela polícia, causando entre outras coisas a internação hospitalar do namorado em estado de choque.
    Veja a história completa no “saite” Espaço Vital

  • O cérebro pensa?

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  • O Derradeiro Anúncio

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    Lápides são uma síntese do que vivemos, por que será que são tão econômicas em informações?

    detalhe tumulo oscar kauerRaramente vou a cemitérios, mas quando vou fico observando as lápides e os anjos imóveis. Tem aquela brincadeira «O que você escreveria na sua lápide?» Já vi respostas geniais por aí, como a do hipocondríaco: «Eu não disse?» Só que na (vida?) real as lápides raramente tem algo além de duas datas e uma foto em sépia.
    Daí fico pensando, uma vida inteira, o intervalo entre aquelas duas datas e nem uma frasezinha ou uma piada para dar uma dica de quem foi aquela pessoa, agora em tons desbotados como um fantasma nos olhando com a mesma cara de interrogação de quem está do lado de cá.

    Claro, o que fica é o que fazemos em vida, nossas obras, nossos ensinamentos e atitudes, mas a lápide é o último anúncio, o detalhe, a página final de uma obra e de uma caminhada, poderia ser mais do que uma pedra com duas datas e uma foto. As vezes a própria pedra parece ter mais história do que o ente que representa.

    Mas a tecnologia está nos permitindo ir além da pedra, já tem capelas multi-mídia onde você pode ver fotos, história e até um depoimento do finado.
    Mas o que eu acho mais legal, por ser mais acessível e democrático, são as lápides e túmulos virtuais, em cemitérios virtuais. Sem problemas de espaços para mensagens e homenagens, neles podemos saber mais sobre quem já viveu.
    As visitas também são mais práticas pois agora o morto está literalmente onipresente, basta um computador e um acesso à internet. E as flores? Nunca murcham e não poluem como as flores de plástico.
    Com o tempo a cremação dos corpos vai substituir o tradicional enterro, por questões de espaço e ambientais, então as lápides virtuais substiturão os velhos cemitérios.
    Imagine que você pode trocar, de tempos em tempos, o lay-out da lápide do seu ente querido, lápides conceituais, de primavera, Natal, aniversário…
    A morte até vai parecer menos soturna, talvez debaixo do manto tenha um smile em vez do mistério sombrio que a figura traz até hoje, de tempos medievos.

    É isso aí Dona Morte, temos que adequar sua imagem aos novos tempos, tá na hora. Eu iria mais longe, redesenharia o conceito de morte para algo mais atual.
    Hoje fala-se tanto em inovação, em reciclagem e obsolescência de conhecimentos, o que sabíamos há cinco anos já não serve mais, o que ÉR(r)AMOS há meia dúzia de anos já não é mais. Ou seja, «um-eu-do-passado» já morreu. Como era? Em que acreditava? O que sabia?
    Que tal fazer uma lápide e um túmulo para estes «eus» que morrem de tempos em tempos? Loucura? Pode ser, mas eu acho um belo modo ampliar o autoconhecimento e permitir uma arqueologia dos nossos valores, crenças e quotidiano. Você vai escrevendo como em um diário, suas experiências, crenças e vivências, um belo dia faz uma retrospectiva do que já escreveu e se dá conta de aquele eu já mudou tanto que não é mais a mesma pessoa. Daí tá na hora de convidar seus contatos para um enterro de um eu passado e o renascimento de um eu futuro, tudo lá, no limbo virtual.
    Estou pensando até no nome deste site de «relacionamentos» de mortos: «Morkut» , e o slogan: «I click dead people…».
    Já pensou em se sepultar na web?

    Bom, mas toda esta viagem começou com o que escreveríamos na nossa lápide, há alguns anos eu decidi, vou escrever «Já estive bem pior» e na época eu preparei a explicação para esta decisão conforme segue abaixo:

    “Já estive bem pior»
    esta é a frase da minha lápide
    pode parecer despeito,
    pode parecer desrespeito
    mas é a pura verdade.
    O que pode ser pior pra saúde do que a vida?
    Desde que nasci comecei a envelhecer,
    quando ainda não tinha conhecimento
    tinham monstros e entidades pra temer,
    quando comecei a pensar
    descobri que dói aprender.

    Quando era criança queria ser homem
    Quando homem, criança
    Quando jovem, crença
    Quando velho, paciência.

    Tá certo, não tive muitas doenças
    tive amores, filhos, desequilíbrio,
    crises de existência.
    Agora que já não existo, não tenho crises
    nem os amores nem a beleza da arte e da vida,
    mas tenho o orgulho
    de ter uma lápide que alguém vai ler e pensar:
    “Que cara louco, como pode
    a vida ser pior que a morte?
    Um pobre coitado, não teve sorte”

    Então eu terei dado o crédito à vida
    que me venceu e foi uma respeitável oponente,
    mas só depois de morto
    porque não me entrego facilmente.