• Qual o espaço que uma vida ocupa?

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    Pode ser medido em anos? Pode ser avaliado por seus feitos? Pode ser medido ou avaliado? Poder, pode, mas pra que serve? Exemplo? Sim exemplos. Os bons ou os ruins? O que é bom e o que é ruim? Depende do ponto de vista. Somos bons ou ruins o tempo todo? Não, as vezes somos bons e as vezes somos ruins, dependendo do ponto de vista. Então pra quê servem os exemplos mesmo? Pra errar menos. Algumas vidas erram menos que outras no seu curso? Provavelmente sim, mas basta um só erro pra acabar com ela. Então vale a pena se preocupar em errar menos? Bom, tentamos diminuir as chances de ter problemas. Mas não são os problemas que nos fazem evoluir? Sim, mas depois desta «evoluída» passamos pra próxima. E pra que serve mesmo? Tem um fim esta evolução? Deve ter. Deve ter??? Então tudo termina em uma interrogação? Bom, dizem que depois de tudo tem Deus. E Ele acabará com todas as dúvidas? Com certeza! Ufa! uma certeza! Mas pode ser também que não haja nada depois…Sim é uma hipótese…Bom o «nada» é uma espécie de certeza também, se não há nada depois pra que ficar perguntando né? Mas, por que a gente não consegue parar de perguntar, se de um jeito ou de outro encontraremos uma espécie de certeza? Porque somos inteligentes. Ser inteligente não significa achar respostas? PÔ! QUE CARA CHATO MEU!!

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    Enquanto isso, em uma vida qualquer:

    Quem guarda tem.
    Guardei uma pilha de livros
    no canto da sala
    para ler quando tivesse tempo.

    Empilhei algumas palavras
    pra te dizer o que sinto,
    quando chegasse o momento.

    Coloquei na gaveta aquela viagem,
    na prateleira aquela idéia,
    no armário, aquele plano.

    Eu sou tão organizado e tão parado.
    Eu sou tão previdente e atarefado,
    tão vivo e entediado

    As lembranças por ordem alfabética,
    as fotos por data,
    os amigos por classe,
    as roupas por cores,
    a solidão, por amores,
    até que a febre passe.

    Estou tão atarefado e tão cansado,
    sou tão sensível e descartável,
    simpático e sociável,
    tão vivo, e tão cadáver.

    O que você faz da sua vida, enquanto ela passa?

    Enquanto isso, em outra vida qualquer:

    Quem guarda, o que tem?
    passado presente, memória insistente.
    Livros lidos, doei!
    Tempo, desperdicei!

    Não guardei nem palavras
    que pudessem represar sentimentos.
    Paz! Quem não as guarda, tem.

    Não tenho gavetas, quase não tenho móveis.
    Tenho idéias que solto ao vento,
    tenho planos que duram um momento.

    Eu fui tão desregrado e audaz,
    tão inconsequente e desapegado,
    tão vivo e despreocupado.

    As lembranças na ordem que elas quiserem,
    as fotos na memória,
    os amigos na minha história,
    as roupas no corpo,
    a solidão, é conforto
    até que a febre passe.

    Estou tão realizado e tão cansado,
    em paz com homens e santos.
    Nunca estive tão pronto
    para me tornar passado.

    Por que insiste em mim esta vontade de continuar vivendo?

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This entry was posted on maio 27, 2009 at 9:22 pm
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